Guerra Mundial Z: quando os zumbis se tornam uma ameaça global

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Existem filmes de zumbi que trabalham o medo de ficar preso dentro de uma casa. Outros colocam os sobreviventes correndo por corredores estreitos ou tentando atravessar uma cidade tomada pelos mortos.

Guerra Mundial Z decidiu fazer algo muito maior.

Aqui não estamos acompanhando apenas algumas pessoas tentando sobreviver. Estamos vendo governos caírem, cidades inteiras serem tomadas e a humanidade tentando entender uma ameaça que parece avançar mais rápido do que qualquer resposta possível.

E já começo deixando minha opinião bem clara: eu gostei muito da proposta de Guerra Mundial Z.

O filme pode não ser perfeito e certamente tomou um caminho muito diferente do livro de Max Brooks que o inspirou, mas sua ideia de transformar o apocalipse zumbi em uma crise mundial funciona muito bem.

E os zumbis?

Eles são muito brabos.

Não caminham lentamente procurando uma vítima. Correm, atacam em massa, escalam uns sobre os outros e transformam uma multidão de infectados praticamente em uma força da natureza.

É justamente aí que Guerra Mundial Z encontra sua identidade.

O apocalipse começa sem pedir licença

O filme não demora muito para apresentar sua ameaça.

Gerry Lane, interpretado por Brad Pitt, está com sua esposa Karin e as filhas quando um congestionamento aparentemente normal se transforma em caos.

Explosões.

Pessoas correndo.

Acidentes.

E então aparecem os infectados.

A sequência funciona muito bem porque Gerry também não entende exatamente o que está acontecendo. Ele observa, calcula e percebe rapidamente que aquelas pessoas estão sendo contaminadas em poucos segundos.

A partir dali, acabou a normalidade.

Uma das coisas que mais gosto em Guerra Mundial Z é justamente essa velocidade. Não existe uma longa preparação para o fim do mundo. Quando a ameaça aparece, a sociedade simplesmente não consegue acompanhar.

Esses zumbis são muito brabos

Precisamos falar deles.

Tecnicamente, estamos novamente mais próximos dos infectados de Extermínio do que dos mortos-vivos tradicionais de George Romero. Mas Guerra Mundial Z leva a ideia dos zumbis rápidos para outra escala.

Individualmente, eles já são perigosos.

Juntos, tornam-se absurdos.

Uma das imagens mais marcantes do filme mostra milhares deles se acumulando diante de uma enorme muralha. Os primeiros não conseguem passar, então outros sobem sobre seus corpos. Depois chegam mais. E mais. Até que aquela massa forma praticamente uma onda humana capaz de superar a barreira.

É exagerado? Claro.

Mas funciona demais dentro da proposta.

Os zumbis de Guerra Mundial Z não parecem apenas inimigos. Quando estão reunidos, comportam-se quase como uma enchente, avalanche ou enxame.

Você não enfrenta aquilo.

Você tenta sair do caminho.

E acho que essa foi uma das grandes sacadas do filme.

Gerry Lane é o personagem certo para essa história

Brad Pitt também merece bastante crédito.

Gerry Lane não é apresentado como um super-herói ou soldado invencível. Ele é um antigo investigador da ONU que possui experiência em regiões perigosas e sabe principalmente uma coisa: observar.

Isso é fundamental.

Enquanto muita gente reage apenas correndo, Gerry presta atenção.

Quanto tempo demora para alguém se transformar?

Como os infectados escolhem suas vítimas?

O que aconteceu em diferentes lugares?

Existe algum padrão?

Sua principal arma não é um rifle.

É perceber coisas que outras pessoas ignoram.

Essa característica transforma Guerra Mundial Z quase em uma investigação epidemiológica dentro de um blockbuster de zumbis.

Gerry atravessa diferentes países tentando montar um quebra-cabeça enquanto o mundo desmorona ao redor dele.

Quando o filme fica realmente grande

Outra coisa que diferencia Guerra Mundial Z é a escala.

Filadélfia.

Coreia do Sul.

Israel.

País de Gales.

A história está sempre avançando.

Isso cria a sensação de que o problema não está acontecendo em algum lugar distante.

Não existe lugar distante.

O planeta inteiro está perdendo a guerra.

E aqui o título finalmente faz sentido. Não estamos vendo apenas um surto. Estamos assistindo a uma verdadeira guerra mundial contra uma ameaça que ignora fronteiras, exércitos e diferenças políticas.

Para mim, essa proposta é uma das maiores qualidades do filme.

Funciona tão bem que levo esta inspiração comigo desde que comecei a escrever o Ultimo Refúgio RPG.

Mas aumentar a escala também tem um preço

Existe, porém, uma consequência.

Quanto maior fica Guerra Mundial Z, menos íntimo o horror se torna.

Compare com REC.

Em REC, estamos presos dentro de um prédio. Cada porta pode esconder alguma coisa e praticamente conseguimos sentir a claustrofobia dos personagens.

Em Guerra Mundial Z, vemos milhares de infectados.

O espetáculo substitui parte do medo.

Isso não significa necessariamente que seja pior.

É apenas outro tipo de experiência.

Em vez de pensar “existe alguma coisa atrás daquela porta?”, pensamos “como alguém poderia sobreviver a uma cidade inteira tomada por aquilo?”.

O horror muda de escala.

A sequência de Jerusalém mostra tudo que funciona no filme

Se existe uma parte que resume perfeitamente Guerra Mundial Z, é Jerusalém.

Existe uma enorme muralha.

Militares.

Helicópteros.

Segurança.

Parece que finalmente encontramos um lugar preparado para enfrentar o problema.

Então ouvimos os infectados.

Pouco depois, aquela massa começa a se acumular contra a muralha.

Quando percebemos o que está acontecendo, eles estão escalando uns sobre os outros.

A barreira que parecia impossível de atravessar deixa de significar qualquer coisa.

Essa cena mostra algo importante sobre os zumbis do filme: a força deles está na quantidade e na velocidade.

Individualmente são criaturas perigosas.

Em massa tornam-se praticamente imparáveis.

Eu assisti novamente a um tempo atrás para escrever esta rezenha, mas nesta parte eu confesso que me deu vontade de ver novamente esta parte do filme.

O filme muda completamente no final

Curiosamente, depois de passar boa parte da história aumentando sua escala, Guerra Mundial Z faz exatamente o contrário no último ato.

Saem as cidades tomadas por milhares de criaturas.

Entra um laboratório silencioso.

O filme volta a trabalhar corredores, portas e pequenos grupos de infectados.

E Gerry finalmente precisa testar uma hipótese construída durante sua jornada.

Eu gosto dessa mudança porque ela devolve tensão ao filme depois de tanto espetáculo.

Também reforça aquilo que torna o protagonista interessante.

A solução não surge porque Gerry é mais forte.

Surge porque ele observou.

Uma produção que quase desmoronou

Existe ainda uma curiosidade interessante nos bastidores.

Guerra Mundial Z passou por uma produção extremamente complicada. O terceiro ato originalmente seria muito diferente e envolveria uma grande batalha na Rússia. Depois de avaliações internas negativas, uma parte significativa do final foi descartada e novas cenas foram escritas e filmadas.

O curioso é que o resultado não parece um desastre.

Pelo contrário.

Mesmo com seus problemas, o filme encontrou uma identidade própria e acabou funcionando como uma grande produção de ação e horror.

Vale a pena assistir Guerra Mundial Z?

Para mim, sim.

Se alguém procura o terror claustrofóbico de REC ou a atmosfera crua de Extermínio, talvez encontre aqui outra coisa.

Guerra Mundial Z quer mostrar o tamanho do desastre.

Quer transformar o apocalipse zumbi em uma emergência planetária.

E consegue.

Brad Pitt funciona muito bem como Gerry Lane justamente porque não tenta competir com o espetáculo. Enquanto tudo explode ao seu redor, ele observa, raciocina e continua avançando.

E continuo achando aqueles zumbis muito brabos.

Quando milhares deles começam a correr juntos, subir uns sobre os outros e atravessar praticamente qualquer obstáculo, o filme cria uma identidade visual difícil de esquecer.

Talvez Guerra Mundial Z não seja o filme de zumbi mais assustador que já assisti.

Mas é facilmente um dos que melhor conseguiram mostrar como seria aterrorizante perceber que o mundo inteiro está perdendo ao mesmo tempo.

Continue explorando o apocalipse

Se você também gosta de imaginar como diferentes histórias transformam o fim do mundo em horror, continue por aqui:

  • Extermínio reinventou os filmes de zumbi? Antes das hordas gigantescas de Guerra Mundial Z, Danny Boyle ajudou a transformar os infectados rápidos em uma das ameaças mais desesperadoras do cinema moderno.
  • Enterramos os Mortos: uma abordagem muito mais íntima do apocalipse, em que os mortos importam menos pela ameaça que representam e mais pelas pessoas que deixaram para trás.

Referências e leituras recomendadas

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