O Último Refúgio RPG nasceu de uma vontade antiga: contar histórias.
Meu nome é Marcelo Biazone, tenho 47 anos, e escrevo histórias desde pequeno. Antes de pensar em blog, sistema de RPG, e-books ou publicação na internet, já existia algo muito simples: a vontade de imaginar mundos, criar personagens, construir perigos, inventar cenas e transformar medo, aventura e sobrevivência em narrativa.
Mas, para quem cresceu nos anos 80 e 90, publicar histórias não era algo simples. Não havia a facilidade de criar um site, abrir um blog, publicar um conto ou compartilhar um universo autoral com pessoas do outro lado do país. O caminho parecia distante, fechado e, muitas vezes, impossível.
Naquela época, escrever também não era visto como uma escolha muito prática. Para muita gente ao redor, principalmente dentro de uma realidade familiar mais conservadora, criar histórias parecia algo bonito, mas sem futuro. Algo que “não dava dinheiro”. Algo que deveria ficar apenas como passatempo.
E, quando uma vontade criativa não encontra espaço, ela procura outro caminho.
No meu caso, esse caminho foi o RPG de mesa.
O RPG como lugar onde minhas histórias podiam existir
Foi no RPG que encontrei uma forma de contar histórias sem pedir permissão para o mundo editorial.
Ali, eu podia criar cenários, personagens, ameaças, mistérios, vilões, monstros, tragédias e momentos de esperança. Podia narrar aventuras, conduzir jogadores por situações impossíveis e transformar ideias que talvez nunca virassem livros em experiências vivas ao redor de uma mesa.
O RPG se tornou um refúgio criativo.
Enquanto publicar parecia difícil, jogar e narrar permitia que as histórias respirassem. Talvez elas não estivessem impressas em páginas vendidas em livrarias, mas estavam ali: nas decisões dos jogadores, nas cenas improvisadas, nos personagens que sobreviviam por pouco, nos mundos que cresciam a cada sessão.
De alguma forma, o RPG manteve viva a minha vontade de escrever.
O desejo de escrever nunca desapareceu
Mesmo com o passar dos anos, essa vontade continuou comigo.
A vida muda, as responsabilidades chegam, o tempo fica mais curto, mas certas vontades não desaparecem. Elas apenas ficam esperando o momento certo.
Eu sempre quis escrever histórias. Sempre quis criar contos. Sempre quis construir um universo próprio, com atmosfera, identidade, personagens e conflitos que carregassem um pouco daquilo que sempre gostei: terror, sobrevivência, apocalipse, medo do desconhecido e humanidade tentando resistir quando tudo parece perdido.
Hoje, com a internet, esse caminho finalmente parece possível.
Criar um blog, publicar contos autorais, desenvolver personagens, registrar ideias, organizar um universo narrativo e compartilhar tudo isso com outras pessoas deixou de ser um sonho distante. Ainda exige trabalho, constância e coragem, mas já não depende das mesmas portas fechadas de antes.
O Último Refúgio RPG nasce exatamente desse encontro entre uma vontade antiga e uma oportunidade nova.
O interesse pelo terror, pelo apocalipse e pela cultura pop
Desde jovem, sempre tive uma ligação forte com histórias de terror.
Filmes de horror, criaturas, zumbis, cenários apocalípticos, sobreviventes acuados, casas escuras, cidades abandonadas, monstros impossíveis e personagens tentando manter alguma humanidade diante do caos sempre me atraíram.
Não apenas pelo susto.
O terror me interessa porque ele revela pessoas sob pressão. Ele mostra quem alguém se torna quando perde o controle, quando a moralidade acaba, quando a segurança desaparece e quando o medo deixa de ser uma ideia e passa a respirar no mesmo ambiente.
Por isso, este blog também será um espaço para falar sobre cultura pop ligada ao horror, especialmente filmes de zumbi, horror cósmico, histórias apocalípticas, obras de sobrevivência e referências que ajudaram a formar esse imaginário.
Aqui, o entretenimento não será tratado apenas como lista ou curiosidade. A ideia é conversar sobre o que essas histórias provocam, por que elas marcam tanto, como inspiram novas criações e de que forma ajudam a alimentar o universo do Último Refúgio RPG.
Primeiro veio a história. Depois veio o sistema.
O mais curioso é que o Último Refúgio RPG não começou como um sistema de regras.
Ele começou como conceito narrativo.
Antes de existirem classes, atributos, mecânicas, manifestações ou tabelas, existia uma ideia central: os Renascidos.
A partir deles, o mundo começou a se formar. Quem são essas pessoas que morreram e voltaram? O que trouxeram da morte? Por que continuam humanas, mas já não pertencem completamente ao mundo dos vivos? Como seriam vistas em um cenário de colapso, medo, superstição e sobrevivência?
Essas perguntas vieram antes das regras.
Foi quase uma engenharia reversa: primeiro nasceu a narrativa, depois o sistema precisou existir para sustentar esse universo em mesa.
O RPG autoral surgiu para dar forma jogável a uma ideia que já carregava peso dramático, atmosfera e identidade própria. As regras vieram depois, não como ponto de partida, mas como ferramenta para permitir que outras pessoas também pudessem viver histórias dentro desse mundo.
O que você vai encontrar neste blog
O Último Refúgio RPG é um espaço para reunir tudo aquilo que faz parte desse universo autoral.
Aqui você encontrará:
- contos autorais ambientados no universo do Último Refúgio;
- personagens, relatos e registros narrativos;
- textos sobre os Renascidos e suas manifestações;
- materiais sobre o desenvolvimento do sistema de RPG;
- conteúdos sobre horror cósmico, sobrevivência e apocalipse;
- reflexões sobre filmes de zumbi, terror e cultura pop;
- bastidores de criação;
- ideias para narradores e jogadores;
- futuras aventuras, suplementos, e-books e materiais digitais.
A ênfase principal está nos contos autorais. Porque, no fundo, tudo começa pela história.
O sistema existe para que essas histórias possam ser jogadas.
A cultura pop serve como combustível criativo. O blog organiza esse processo.
Mas o coração do projeto está na vontade de contar histórias sombrias, humanas e intensas — histórias sobre medo, ruína, resistência e esperança quando tudo parece perdido.
Para quem também sonha em criar
Este blog também é para quem um dia teve vontade de escrever e deixou essa vontade guardada.
Para quem ouviu que criar histórias não era um caminho possível.
Para quem cresceu imaginando mundos, personagens e cenas, mas não sabia onde colocar tudo isso.
Para quem descobriu no RPG, nos filmes, nos livros, nos jogos ou na internet uma forma de continuar criando.
O Último Refúgio RPG é, antes de tudo, uma prova pessoal de que uma ideia pode esperar muitos anos e ainda assim encontrar seu momento.
Talvez o tempo ideal não seja quando somos mais jovens. Talvez seja quando finalmente entendemos melhor o que queremos dizer.
Um arquivo vivo de histórias e sobrevivência
O Último Refúgio RPG será construído aos poucos.
Conto por conto. Página por página. Regra por regra. Filme por filme. Personagem por personagem.
A proposta é transformar este blog em um arquivo vivo de um universo em expansão: um lugar onde o horror cósmico encontra a sobrevivência, onde o RPG encontra a literatura, onde a cultura pop encontra a criação autoral, e onde uma vontade antiga de escrever finalmente ganha espaço.
Este projeto nasce do medo, da imaginação e da persistência.
Mas também nasce de uma esperança muito simples:
a de que ainda vale a pena contar histórias.
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