As Crônicas de Max: Silêncio em Seattle – Parte 3

Resumo: O grupo mal deixa o beco quando criaturas aéreas descem sobre Seattle, transformando a fuga em uma caçada desesperada.
Tempo aproximado de leitura: 8 minutos.

Quando o Céu Caiu Sobre os Sobreviventes

Seattle, 14 de outubro de 2031.

O zumbido voltou. Mais forte. Mais próximo. Mais aterrorizante!

Max ergueu a mão:

— Silêncio!

Ninguém discutiu, pois o grupo tinha congelado.

Os olhos dele subiram lentamente, varrendo janelas quebradas, telhados irregulares, sombras instáveis contra o céu amarelado. No início, nada. Apenas vento.

Então… movimento.

Uma silhueta. Depois outra. E mais…

Asas torcidas. Membranosas. Batendo com violência irregular.

O som crescia, pressionando o corpo como uma dor interna.

Lena engoliu seco.

— O que… são essas coisas?

As criaturas que desceram

Agora visíveis por completo.

Com corpos humanoides bizarros. Pele cinza. Placas ósseas expostas. Asas de vespa batendo frenéticas. Olhos negros, sem pálpebras.

Mandíbulas abertas, cuspindo fios viscosos que queimavam o chão ao cair.

Carter recuou.

Damon travou a respiração.

Daniel puxou a família para perto.

A jovem catatônica… não reagiu.

Max já estava em movimento:

— Formem linha… Damon, protege a menina. Carter, retaguarda. Daniel, fica com sua família.

Imediatamente, a primeira criatura mergulhou, cuspindo ácido.

Max desvia. O jato atingiu um carro, corroendo metal como se fosse cera.

A metralhadora reagiu rapidamente, dilacerando aquela bizarrice.

Mas outras vieram. Rápidas. Mais precisas que os necrófagos anteriores. Mais mortais.

— Movam-se para dentro do prédio!

Ácido, fogo e metal

Os sobreviventes correram, enquanto Max recuava atirando.

Sempre controlado. Eficiente. Frio. Um soldado!

Damon nunca foi um soldado, mas sabia atira bem também. O tempo nas ruas antes da sua prisão, o ensinou bem.

Então, o pior acontece: Munição esgotada para ambos.

Mas a troca é instantânea para Max. Pistola na mão. Três disparos.

Uma criatura caiu diante de Lena e Mia.

Outra veio pela lateral. Mais uma rajada de tiros. Desta vez, a criatura não caiu.

Max lança a faca. Movimento limpo. Preciso. A lâmina atravessa o crânio da criatura, entre seus olhos monstruosos.

Outro desses monstros não hesita. Mais uma investida. Desta vez mais rápida. Mais próxima.

Max salta para longe do alcance da morte, retornando rapidamente para uma posição de ataque. Ele saca seu facão da empunhadura que estava nas costas.

A lâmina abre a garganta da criatura em um arco brutal.

Ela caiu, mas não sem atingir seu braço com ácido.

A carne queimou. Um som baixo escapou dele. Mas ele não parou…

Damon carrega a desconhecida

Atrás, Damon contuava lutando, mesmo sem munição.

Segurava outra criatura pelo corpo, impedindo que ela mergulhasse em seu peito. Seu macacão já exibia a corrosão por ácido. A pele estava exposta.

Sangue e ácido misturados.

— Vai! — gritou. — Leva eles!

Max girou seu facão. Outro laceração profunda.

A lâmina atravessa a criatura, derrubando-a. Mas o ácido respinga novamente.

Enquanto isso, Damon caia de joelhos. Respira fundo diante de uma dor visceral.

Max arranca a cabeça do algoz do presidiário. Ele se ergue uma vez mais. Pega a jovem nos braços e avança…

Max segue na retaguarda em prontidão. Sempre olhando para cima. Esperando mais.

Mas não vieram. O zumbido cessou. Silêncio.

A rua fica vazia novamente. Por enquanto…

Sobreviver não significa estar seguro. Significa apenas… que ainda não acabou.

O próximo quarteirão

O próximo quarteirão parecia um cemitério aberto.

Carros queimados formam corredores de metal retorcido, como costelas expostas de um animal gigante abandonado na rua. O ar estava pesado — ferrugem, pólvora antiga e carne em decomposição.

Não havia como se acostumar. Apenas suportar.

Necrófagos ocupavam os espaços entre os destroços como resíduos de uma onda que nunca recuava. Alguns vagavam. Outros reagiam. Mas todos tinham o mesmo propósito.

Max ergueu a voz:

— Rápido. Derrubem e avancem. Não parem.

Daniel foi o primeiro a agir.

A chave inglesa desceu com força brutal, esmagando o crânio do primeiro morto. O estalo foi seco, desagradável… definitivo.

Ele não hesitou. Não era coragem. Era necessidade.

Carter hesitou — mas reagiu.

Pegou uma barra de ferro do chão e, tremendo, cravou no rosto de um necrófago. O corpo caiu com o metal ainda preso.

— Sai da frente!

A voz não era comando. Era medo tentando se disfarçar.

Lena mantinha Mia junto ao peito.

A menina ainda estava com febre. Respiração irregular. Tempo acabando.

Os corredores

Atrás deles, Damon avançava mancando.

O ombro corroído pelo ácido transformava cada passo em dor real, pulsante.

Ainda assim, carregava a jovem catatônica sem questionar.

Não era empatia. Era outra coisa. Algo que tinha começado quando Max disse: “ninguém fica para trás.”

Max mantinha o grupo unido. Movia-se ajustando posições, abrindo caminho. A pistola marcava o ritmo — tiros precisos, economia absoluta.

Quando a última bala saiu, ele não parou.

Facão como arma de destruição em massa. Corte profundo. Crânio rachado no meio.

Um cano de chumbo golpeava outro necrófago mais a frente. Dois golpes. Outro corpo caído.

— Continuem! Não olhem pra trás!

O grupo avançava. E por um segundo… pareceu possível.

Então veio o som.

Não era arrasto. Nem gemido.

Era rápido. Seco. Rítmico.

Max ergueu a cabeça.

Nos andares superiores, sombras cruzavam janelas quebradas.

Longas. Esguias. Altas. Famintas.

— São Corredores!

Max gritou. E o nome não explicava. Mas bastava. Eles não andavam. Corriam.

O primeiro saltou.

O impacto dobrou o metal de um carro.

Outro mergulhou direto sobre a rua, com as garras abertas.

Lena gritou. Carter recuou.

Daniel ergueu a arma — sem firmeza. Max não hesitou.

— Corram! Eu seguro eles! A ordem atravessou o pânico.

O grupo disparou pelo corredor de concreto e ferrugem. Damon ia à frente. Lena e Daniel logo atrás. Carter tropeçando entre eles.

Max ficou.

O facão firme na mão.

— Venham para mim! — gritou para atrair toda a atenção.

Os Corredores reagiram como esperado.

E a rua virou campo de caça com Max como a presa.

Correr não salva ninguém… só decide quem morre primeiro.

Continue na próxima parte: Quando o Limite Quebra

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