
Resumo
Um filme de zumbi diferente de tudo que você espera: sem hordas frenéticas e com muito mais emoção do que sustos.
Mas será que essa proposta funciona… ou afasta o público do gênero?
Descubra por que Enterramos os Mortos está dividindo opiniões entre crítica e audiência.
Sinopse: um apocalipse íntimo
Em “Enterrando os Mortos”, após um desastre militar devastador na Tasmânia, milhares de pessoas morrem instantaneamente. No entanto, algumas começam a voltar à vida — não exatamente como monstros, mas como algo entre o humano e o morto.
Ava (Daisy Ridley), acreditando que seu marido pode estar entre as vítimas, se junta a uma equipe de recuperação de corpos. A missão: localizar, identificar e enterrar cadáveres.
Mas tudo muda quando os mortos começam a demonstrar sinais de consciência e comportamento imprevisível.
Questionamento Inicial
O gênero zumbi já foi explorado de todas as formas possíveis: ação desenfreada, terror visceral e até comédia. Mas Enterramos os Mortos (We Bury the Dead, 2026) chega com uma proposta ousada: transformar o apocalipse em um drama emocional sobre perda e aceitação.
Dirigido por Zak Hilditch e estrelado por Daisy Ridley, o filme foge completamente do convencional. Mas essa inovação levanta uma dúvida importante:
Isso é evolução do gênero… ou descaracterização total?
Na minha humilde opinião, enxergo muito mais como uma evolução. Vejo aqui uma tentativa clara de adicionar camadas a um tema que, muitas vezes, impacta muito mais pelas questões de moralidade humana do que propriamente pela ameaça direta dos zumbis.
O que me chama atenção é justamente essa mudança de foco: o gênero deixa de depender exclusivamente do medo imediato e passa a explorar o que realmente permanece depois do caos — as pessoas, suas escolhas e o peso emocional de tudo isso.
Mesmo sendo alguém que prefere produções com mais tensão constante e aquele senso de urgência mais presente, eu reconheço que o filme consegue, sim, entregar momentos de tensão.
Eles existem, ainda que de forma pontual, diluídos em meio a uma narrativa mais contemplativa, quase silenciosa em alguns momentos. Outro ponto que me marcou bastante foi a mensagem latente sobre o fim da vida de pessoas comuns.
Não estamos falando apenas de “vítimas” genéricas de um apocalipse, mas de indivíduos que tinham sonhos, casas, famílias, trabalhos — elementos simples, cotidianos, que formam toda a base de uma sociedade.
Essa percepção humaniza profundamente o cenário e faz com que cada perda tenha um peso muito maior do que simplesmente mais um corpo no chão.
Inclusive, vou aproveitar para traçar um paralelo com os contos do Último Refúgio RPG. Embora sejam histórias naturalmente mais carregadas de tensão e conflito, eu tento, sempre que possível, inserir justamente esse olhar mais humano dentro do caos.
Existe uma preocupação constante em mostrar que, antes de tudo, aquelas criaturas um dia foram pessoas comuns — com rotinas, relações, sonhos e tudo aquilo que dá sentido à existência.
Voltando ao filme, o contraste com o experimento militar que devastou toda a região é extremamente forte. De um lado, vidas inteiras, histórias construídas ao longo de anos; do outro, uma decisão, um teste, algo impessoal capaz de apagar tudo em questão de segundos.
Isso reforça uma ideia que fica ecoando ao longo da experiência: a vida é frágil, quase instantânea, e pode ser interrompida de forma abrupta e injusta.
Recepção: crítica vs público

Um dos pontos mais interessantes do filme é a divisão clara entre crítica e público:
✅ Rotten Tomatoes (crítica): cerca de 84% positivo.
❌ Rotten Tomatoes (Público): cerca de 47% de aprovação
📊 Metacritic: 61/100
Isso revela um padrão importante: Quem busca algo mais profundo tende a gostar — quem espera ação, se frustra.
Em relação a esse ponto, no fim das contas, gosto é gosto — e cada pessoa tem todo o direito de se conectar com o tipo de narrativa que mais lhe agrada.
Tem quem prefira ação constante, tem quem busque mais profundidade emocional, e tudo isso faz parte da experiência com o gênero.
Mas, para quem estiver lendo, eu deixo um convite sincero: tente assistir ao filme com uma percepção diferente. Não apenas esperando tensão ou sustos, mas aberto a enxergar o que existe por trás da proposta.
Às vezes, mudar o olhar já transforma completamente a forma como a história impacta — e talvez esse seja exatamente o tipo de experiência que esse filme está tentando provocar.
Atuações: Daisy Ridley carrega o filme
Se há um consenso, é a performance de Daisy Ridley.
A atriz entrega uma atuação contida, emocional e extremamente humana — longe do perfil heróico tradicional. Críticos destacam que ela sustenta o peso do filme mesmo quando o ritmo desacelera.
A protagonista não luta contra zumbis… ela luta contra o luto.
A participação dela foi boa, na minha opinião funcionou muito bem. Entregou bastante dentro da proposta do filme, principalmente considerando que a narrativa exige uma carga emocional maior do que ação propriamente dita.
Em vários momentos, consegui me conectar com a personagem e com o que ela estava vivendo, o que é essencial para um filme com essa abordagem mais introspectiva.
Ainda assim, houve um ponto específico em que essa conexão se quebrou um pouco para mim — justamente na parte em que ela acaba ficando sob os cuidados de um policial que surge de forma um pouco repentina na história.
Não vou entrar em detalhes para evitar qualquer tipo de spoiler, mas quem já assistiu provavelmente vai identificar exatamente o momento que estou citando.
Essa sequência, pelo menos na minha percepção, destoou um pouco do restante da narrativa, seja pelo ritmo, pela construção ou até pela forma como a situação se desenvolve.
Não chega a comprometer a experiência como um todo, mas foi um trecho em que senti a imersão diminuir.
De qualquer forma, fica aí o espaço aberto: quem já viu o filme sabe do que estou falando — e vale muito a pena deixar a própria opinião sobre como essa parte impactou (ou não) a experiência.
O diferencial: zumbis como metáfora
Diferente de produções como: The Walking Dead, Guerra Mundial Z e Extermínio. Em “Enterrando os Mortos”, o foco não é a sobrevivência — é o impacto emocional da perda.
Os mortos-vivos representam: memórias não resolvidas, relações interrompidas e o peso de não conseguir “seguir em frente”
Críticos destacam que o filme funciona mais como uma meditação sobre o luto do que um terror tradicional.
Ritmo lento: problema ou proposta?
Esse é o ponto mais controverso.
“Enterrando os Mortos” adota um ritmo lento, contemplativo e silencioso.
✔ Para alguns, isso aprofunda a experiência emocional.
❌ Para outros, torna a narrativa arrastada e pouco envolvente.
Essa escolha é deliberada — o diretor quer que o espectador sinta o vazio do mundo.
Eu percebi muito esse vazio ao longo do filme, principalmente nas tomadas mais abertas. Existe ali uma sensação de silêncio e de ausência que não precisa ser explicada — você simplesmente sente.
São cenas bem contemplativas, com um cuidado visual evidente, que tornam tudo mais imersivo mesmo sem grandes acontecimentos.
O visual, inclusive, é muito bonito e chamativo, daquele tipo que prende o olhar mesmo quando nada está acontecendo de forma direta.
Isso torna tudo ainda mais melancólico, porque reforça a ideia de perda — não só das pessoas, mas de tudo aquilo que fazia o mundo ser habitável e significativo.
Atmosfera e som: o verdadeiro terror em Enterramos os Mortos
Se o filme não aposta em ação, ele compensa na atmosfera: cenários vazios, silêncio constante e sons perturbadores (como o ranger de dentes dos mortos).
Isso cria um terror psicológico mais incômodo do que assustador.
Sinceramente, o ranger dos dentes é o ponto alto nesse aspecto — é simples, mas extremamente eficaz. É o tipo de detalhe que fica na cabeça mesmo depois que a cena passa.
Ainda assim, vale destacar que o filme não abandona completamente a tensão mais tradicional.
Existe pelo menos uma cena com zumbi corredor que quebra esse ritmo mais contemplativo e traz um senso de perigo imediato muito bem construído.
Esse contraste funciona bem, porque mostra que, mesmo com uma proposta mais emocional e atmosférica, o filme ainda sabe usar a tensão clássica quando precisa.
Expectativa vs realidade
Aqui está o maior problema do filme: ele foi vendido como terror de zumbi, mas é, na prática, um drama existencial.
Esse desalinhamento, na minha opinião, explica a rejeição de parte do público.
Eu poderia até concordar com essa crítica se tivesse entrado no filme esperando algo mais alinhado com o modelo tradicional dos filmes de zumbi. Nesse caso, o choque realmente seria maior.
Mas, no meu caso, a experiência foi diferente. Desde o início, procurei assistir com a mente aberta, sem me prender a expectativas específicas, disposto a absorver aquilo que o filme tinha para oferecer.
Até porque, no meu caso, tudo pode virar referência para o universo literário do Último Refúgio RPG.
Interpretação: o verdadeiro monstro
Uma leitura mais profunda mostra algo interessante: Os zumbis não são o inimigo.
O verdadeiro conflito está em: aceitar a morte, lidar com a perda e aprender a deixar ir. Literalmente, a maior dificuldade aí, está literalmente em enterrar seus mortos.
Como vários críticos apontam: o filme trata os mortos como pessoas — não como alvos.
Conclusão: vale a pena assistir?
Enterramos os Mortos não é um filme para todo mundo — e isso não é um defeito.
✔ Se você gosta de: histórias emocionais, terror psicológico e narrativas diferentes.
👉 Vale muito a pena
❌ Se você busca: ação, tensão constante e sobrevivência clássica.
👉 Pode frustrar, mas ainda sim, eu daria uma chance.
Reflexão final sobre Enterrando seus mortos
👉 Esse filme levanta uma pergunta poderosa:
“Zumbis precisam assustar… ou podem emocionar?”
Quero muito saber a opinião de vocês sobre isso.
Comentem à vontade — concordando ou discordando — porque essa troca é exatamente o que me ajuda a evoluir, melhorar minhas referências e ampliar ainda mais minhas inspirações dentro do gênero.


Marcelo Biazone é profissional de marketing digital, criador de conteúdo e idealizador do universo Último Refúgio RPG. Admirador de filmes de terror desde jovem, desenvolve um projeto autoral que une horror cósmico, sobrevivência, apocalipse, Necronomicon, Renascidos e narrativas sombrias sobre a fragilidade humana diante do impossível.