Resumo: Depois do grito de Amanda, Lake Lanier revela a criatura escondida sob a água. Mas o verdadeiro horror começa quando Lottie Mae Holloway chama a ameaça pelo nome: Sarah.
Tempo aproximado de leitura: 8 minutos.
Ainda não leu a parte anterior? Antes de continuar, leia Afogados: Lake Lanier – Parte 3 e descubra como Mark encontrou a verdade escondida na cabana mais distante.
O grito de Amanda

Amanda gritou… e apontou.
Travis não entendeu, mas se virou por instinto.
A cabeça da criatura levantou devagar.
Os olhos…
Não havia olhos como deveriam existir.
Havia espaços vazios.
Profundos.
E, mesmo assim, ela reconhecia quem tinha que punir.
Travis tentou dar outro passo para trás.
Mas parecia que a água do lago tinha ficado mais densa.
Seu esforço era inútil.
Então ela segurou seu pescoço.
Não com a força necessária para conter um atleta como Travis.
Mas sem resistência nenhuma.
Amanda continuava a gritar, ameaçando entrar no lago.
Os polegares da criatura subiram até o rosto dele.
Travis estava sem fôlego para gritar.
Aí veio a pressão.
A força avançou contra seus olhos, e o mundo de Amanda colapsou para dentro.
Ela entrou em choque enquanto a criatura desaparecia nas profundezas do lago com o corpo do namorado.
Havia sangue na água.
E, junto dele, um terror indescritível que Amanda nunca mais esqueceria.
Ela só chorava, ajoelhada no chão.
Não sabia se fugia.
Não tinha certeza de que conseguiria.
Subitamente, aquele vazio foi preenchido novamente.
A criatura emergiu.
Sua presença opressora já tinha alcançado Amanda.
Ela caminhou com uma decisão assassina.
Amanda continuava sem ação.
Congelada diante da criatura que tocava seu cabelo.
O toque não era agressivo.
Era quase fraternal, enquanto repousava a cabeça de Amanda no chão.
Por um instante, a criatura viu algo nela que olhos não seriam capazes de perceber.
Permaneceu imóvel.
Observando.
Depois, sem som, ergueu-se e seguiu a trilha.
Amanda sabia para onde ela estava indo.
Mas nada podia fazer.
A batida na porta

Um pouco antes, na cabana.
— Vocês escutaram isso?
Rachel alertou o grupo sobre um possível grito vindo do lago.
— Deve estar uma loucura lá, né…
Respondeu Kevin, em meio a risos contagiantes.
Mark não estava tão alegre desta vez.
Toda aquela situação de mais cedo ainda estava em seus pensamentos.
— Beleza, chega dessa vibe mórbida.
Lisa pegou uma garrafa para Mark.
— Vamos fazer algo útil nesta noite.
Rachel virou o rosto, desinteressada de novo.
O grupo precisava disso.
Normalidade.
Algum tempo depois, uma batida veio da porta.
O ar ficou denso novamente.
Rachel sabia que tinha algo errado.
— Entra logo, a porta está aberta.
Falou Lisa, a única que estava em pé, relativamente próxima da entrada.
…toc…
…toc…
Rachel hesitou.
— Isso já tá ridículo.
Lisa reclamou antes de abrir a porta.
Silêncio.
Amanda despencou nos braços de Lisa.
Estava apavorada.
Trêmula.
Chorosa.
As palavras não saíam de sua boca.
— O que aconteceu, Amanda? Cadê o Travis?
Lisa perguntou, já quebrando por dentro.
O sorriso, sempre presente, simplesmente falhou.
Mark correu para socorrer a irmã.
— Mana, fala comigo!
— Cadê o Travis?
Rapidamente, Amanda foi acomodada no sofá, enquanto Lisa continuava na porta.
Do lado de fora, outra coisa tinha chegado à cabana também.
Sem pressa.
Rachel percebeu uma forma indefinida no início.
Como um corpo visto através de vidro espesso.
Então braços longos e finos puxaram Lisa.
Ela não teve tempo de gritar.
Os pés deslizaram na madeira.
— Nãoooo…! Solta ela…!
Rachel gritou desesperadamente.
Kevin não conseguia aceitar a verdade diante dele.
Mark se colocou como protetor da irmã.
Todos ficaram como espectadores do que viria a seguir.
Lisa arregalou os olhos diante da criatura.
A dor veio antes que qualquer um conseguisse reagir.
Ninguém respirou enquanto Lisa gritava.
Água escorria do corpo da criatura, misturada ao horror que tomava a entrada da cabana.
Depois veio o desespero compartilhado.
Kevin estava congelado.
Rachel começou a chorar.
Mark, movido pelo sentimento que nutria por Lisa, investiu contra a criatura e ordenou a Kevin que fugisse com Amanda e Rachel pelos fundos.
— Vamos fugir todos juntos, Mark…!
Amanda despertou do estado catatônico quando o irmão se afastou.
Rachel também chamou Mark para correr até o carro.
Kevin correu para pegar a chave próxima à porta.
Sem perceber, seu olhar focou diretamente nas cavidades oculares vazias da criatura.
Sua mente travou de medo.
Imóvel.
Mark entrou em combate corporal enquanto Rachel puxava Kevin com pressa.
— Acorda, por favor, Kevin!
Rachel fechou os olhos por um instante.
Do lado de fora, não existia pressa.
O corpo sem vida de Lisa caiu sobre a madeira.
A criatura imobilizou Mark com facilidade, segurando um de seus braços… com uma das mãos, ela prendeu a cabeça do jovem.
O terror veio com gritos de dor e agonia.
— Irmão… não…
Amanda soluçou mais forte.
Kevin finalmente desviou o olhar da criatura e conseguiu pegar a chave.
— Não podemos deixá-los para trás.
— Não vão mesmo… vocês precisam apenas pagar pelos seus crimes.
Uma voz firme e conhecida tomou o local.
A senhora Holloway.
Ela entrou pela porta dos fundos com as chaves da cabana na mão.
Presença reveladora.
— O que a senhora está fazendo aqui?
Rachel perguntou, já com sua conclusão em mente.
Sarah
— Não foi acidente…
Lottie Mae Holloway falou com calma.
— Eles a empurraram… ela se afogou…
A senhora Holloway exibia uma nova aparência.
Bem mais perturbadora do que antes.
Com adereços antigos e um grande colar bizarro.
Rachel percebeu que o colar exibia o mesmo símbolo gravado na escada.
Por mais mórbido que tudo parecesse, agora a criatura tinha um nome.
— Esta é Sarah, minha filha querida…
A voz dela saiu quase doce.
— Ela veio conhecer vocês.
Kevin só tentava processar aquela história de forma racional.
Como sempre fazia.
Do lado de fora, Amanda escutou o nome Sarah e travou.
A criatura também escutou seu nome.
E algo mudou.
Ela largou Mark no chão, ainda com vida.
Rapidamente alcançou Amanda.
E nada fez.
— Sarah, mamãe está chamando…
O chamado veio do interior da cabana.
— Todos os brancos são maus e devem ser punidos.
Com os alvos à vista, Sarah avançou com velocidade por dentro da cabana.
Kevin e Rachel correram na direção da senhora Holloway.
Ela tentou impedir a passagem com o corpo.
Kevin a empurrou contra a parede, abrindo caminho.
Sarah chegou até a mãe.
E apenas olhou.
Enquanto isso, Amanda ajudou Mark a levantar e o conduziu para longe da cabana.
Os fugitivos chegaram rapidamente ao carro.
Kevin abriu a porta para entrar.
Rachel percebeu os pneus furados.
— Aquela velha maldita sabotou o carro.
— Droga… vem comigo, Rachel.
Kevin pensou em buscar abrigo em uma cabana mais afastada, longe do lago.
Ambos dispararam trilha acima.
Sarah continuou perseguindo.
A movimentação dela era reduzida.
Sem pressa.
Mas com tensão.
Rachel olhou para trás.
E não viu mais seu algoz.

Continua
Na próxima parte, Rachel e Kevin encontram uma cabana aparentemente vazia.
Mas Lake Lanier já havia engolido outros antes deles.
Aguarde a postagem da ultima parte.
Referências:
Embora Afogados faça parte do universo ficcional do Último Refúgio RPG, parte da atmosfera do conto nasce de um lugar real: Lake Lanier, na Geórgia.
Aproveite também para conhecer uma das maiores influências do horror cósmico no universo Último Refúgio RPG. O livro proibido criado por H. P. Lovecraft ajuda a entender melhor a ideia de conhecimento perigoso, maldições antigas e forças que a humanidade jamais deveria despertar. Leia também: O Necronomicon: o livro proibido que virou lenda no horror cósmico.

Marcelo Biazone é profissional de marketing digital, criador de conteúdo e idealizador do universo Último Refúgio RPG. Admirador de filmes de terror desde jovem, desenvolve um projeto autoral que une horror cósmico, sobrevivência, apocalipse, Necronomicon, Renascidos e narrativas sombrias sobre a fragilidade humana diante do impossível.