Resumo: Ferido e seguindo pela planície de Aragón, Mateo reencontra o carro das mulheres e descobre que a estrada ainda guarda ameaças mais cruéis do que os mortos.
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Parar Não é Uma Opção
Aragón, Espanha, 14 de dezembro de 2030.
O vento havia mudado.
Não na direção.
Isso pouco importava naquela planície aberta.
Só existia Cinzas, poeira em um movimento constante…
Mateo caminhava há tempo suficiente para não contar mais os passos.
O ferimento ainda estava presente — não limitava, mas cobrava.
Cada respiração vinha levemente mais curta. Cada movimento exigia um ajuste mínimo.
À frente, o terreno se estendia em campos secos, interrompidos apenas por muros baixos de pedra e pequenas elevações naturais.
Nada que oferecesse abrigo real ou ocultasse por completo o que se movia.
E algo se movia…
Muita coisa continuava se movendo.
Mas ele sempre percebia antes de ver.
Procurava padrões difernetes.
O vento empurrava a vegetação seca em ondas irregulares… mas havia interrupções.
Movimentos que não pertenciam ao vento.
Muitos Necrófagos pela planície, como fragmentos dispersos de algo maior.
A planície dos Contempladores

Não era uma horda dispersa de Contempladores. Eles não se juntavam, mas ainda assim eram perigosos.
Ao longe, eles não apenas repetiam ações humanas… Agiam como se revivessem o que faziam enquanto vivos.
Não estavam indo em direção alguma. Mas também não estavam perdidos.
Talvez desejassem apenas terminar algo que não lembravam mais…
Um instinto humano prevalecendo no pós morte.
Mateo acelerou, sem deixar de observar.
Não havia ameaça real para ele. Não por enquanto. Não enquanto permanecesse na estrada.
Já ao anoitecer, quando o vermelho do céu se tornava mais opressor, ele percebeu algo inesperado na planície.
Primeiro o carro das mulheres fugitivas. Parado.
Depois o jipe.
Ambos próximos a uma construção residencial.
Mateo reduziu o ritmo automaticamente, enquanto os olhos varriam o ambiente mais uma vez.
Nenhum movimento externo.
Poucos Contempladores próximos.
A casa em questão se impunha no terreno como uma presença antiga.
Grande. Construída em pedra clara, já desgastada pelo tempo. O reboco havia cedido em partes, revelando a estrutura por baixo.
O telhado de telhas cerâmicas estava intacto, ou quase, e as janelas, pequenas, estavam bloqueadas por dentro.
Fechadas por madeiras atravessadas.
Ainda assim, era possível notar uma luz. Fraca. Instável. Como uma vela.
Mateo não se aproximou diretamente.
Desviou. Contornou o terreno, mantendo distância para permanecer fora do campo de visão frontal.
Aproximou-se pela lateral, usando o muro baixo e a irregularidade do terreno como cobertura.
Pés silenciosos. Ritmo controlado.
Ao alcançar a parede externa, ele parou. Escutou.
Vozes vinham lá de dentro…
O tom era agressivo. Intimidador. Opressor.
Mateo se moveu rapidamente até uma das janelas, parcialmente aberta.
Olhou.
Analisou…
Dentro da casa
O ambiente era simples. Uma sala central ampla, com mobília antiga e pouca adaptação ao novo mundo.
Percebeu um corpo estendido próximo à parede. Imóvel.
Era um idoso.
Ao lado, uma mulher mais velha, caída contra uma cadeira. Ferida. Respirando com dificuldade.
Já havia chorado.
Ainda assim, não o suficiente.
E diante dos mercenários… as duas. Mãe e filha, ambas sob o controle dos mercenários.
Um deles à frente. Outro mais ao fundo, observando.
Sem urgência nas ações. Totalmente confiantes.
Mateo não ouviu sons vindo do segundo andar. Não precisava — ele lia com clareza a presença de qualquer coisa que se movia.
O mais próximo deu um passo lento.
Elas sabiam exatamente o que viria a seguir.
A menina recuou. A mãe se colocou entre eles.
Ela xingou.
Implorou para ele não fazer aquilo.
— Não… Por favor, não!
Mas o homem não se importava. Sua intenção imoral era clara.
— Depois a garota vem com a gente também.
O mundo já não se importava também.
A mãe segurou o braço dele — inútil, o agressor tinha quatro vezes sua massa corporal.
Mateo, preparado, aguardava a oportunidade perfeita para agir.
Não havia tempo, só a execução, pois a tensão estava escalando rápido.
Ele desapareceu da janela.
Contornou até a entrada lateral, fazendo o mínimo de contato possível.
A porta cedeu sob pressão controlada. Sem ruído. Permitindo sua entrada.
Primeiro passo.
Segundo passo… e já estava onde precisava estar.
O chão antigo rangia… mas não o suficiente para denunciá-lo.
O homem com a arma em punho estava de costas. Posição fatal para Mateo.
Foi o suficiente para sua faca entrar limpa.
Sem força excessiva em um corte preciso e silencioso.
O corpo reagiu tarde demais.
A queda foi evitada.
O outro não percebeu — estava focado na mãe.
Mas a filha percebeu.
Mateo sinalizou: afaste-se — um comando feito apenas com um gesto.
Trocou de posição como uma sombra, enquanto o mercenário gritava com a mãe.
Novamente a lâmina subiu.
O alvo estava visível.
O pescoço estava desprotegido.
Era para ser rápido. Indolor. Mais um assassinato perfeito…
Mas dessa vez, o agressor percebeu.
A mudança da menina denunciou o ataque.
Ele era um sobrevivente treinado, por isso reagiu rápido… derrubando Mateo e quase o desarmando.
Parar não era uma opção

A tensão voltou à sala.
O combate cresceu rapidamente.
Ao se soltar, a mãe correu até a arma do mercenário morto.
Com a arma em mãos, ela ameaçou!
Mas eles estavam agarrados. Um disparo seria fatal para ambos.
Nesse momento, o terceiro iniciou a descida pelas escadas…
Mais atento ao barulho.
Mais rápido.
Prontamente, percebeu a mãe armada e o aliado caído.
Preparou um disparo rápido. Mas a mãe virou-se rapidamente — e disparou o fuzil que estava pronto.
Uma saraivada de projéteis atingiu o topo das escadas onde estava o agressor.
Um projétil atingiu a região do colete, mas outro acertou o rosto, derrubando-o imediatamente. Ao mesmo tempo, o único disparo do mercenário atingiu o ombro da mãe.
Enquanto isso, Mateo e o mercenário restante trocavam golpes diretos.
Chute frontal — projeção por cima da mesa.
Sequência de socos: flanco esquerdo. Cabeça. Defesa. Contra-ataque. Flanco esquerdo novamente.
Joelhada no estômago completando com uma cotovelada dorsal.
Mateo já estava com suas defesas debilitadas — o combate franco nunca foi seu ponto forte.
Agora ele estava vulnerável no chão.
Já não tinha mais ar nos pulmões.
Respiração cada vez mais pesada.
A visão falhou em meio ao sangue que escorria sobre os olhos.
O tempo foi aliado do mercenário, que pegou a faca de Mateo e ironizou sobre como seria sua morte: — Rápida ou dolorosa?
Claro que não seria rápido…
👉 Continue acompanhando no Episódio 04 e descubra se Mateo sobreviverá mais uma vez.
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Conheça o perfil completo de Mateo Álvarez, onde o passado, a culpa e a sobrevivência continuam guiando seus passos pelas estradas de Aragón.

Marcelo Biazone é profissional de marketing digital, criador de conteúdo e idealizador do universo Último Refúgio RPG. Admirador de filmes de terror desde jovem, desenvolve um projeto autoral que une horror cósmico, sobrevivência, apocalipse, Necronomicon, Renascidos e narrativas sombrias sobre a fragilidade humana diante do impossível.