Resumo: Mateo tenta salvar duas desconhecidas cercadas pelos Queimados, mas a estrada revela que nem toda ameaça anda devagar — algumas chegam de jipe, armadas e sem intenção de parar.
Tempo aproximado de leitura: 5 minutos.
Entre Salvar e Sobreviver
Aragón, Espanha, 25 de outubro de 2031.

O carro ainda vibrava.
Não pelo motor — que falhava em rotações irregulares — mas pela tensão dentro dele.
Mateo não se moveu imediatamente.
Os olhos percorriam o cenário com precisão: um Queimado alcançava a traseira do veículo, enquanto o outro reduzia a distância para poucos metros.
Mais três, que seguiam ao encontro de Mateo, desviaram o caminho para o veículo.
Ele estava à meia distância de ambos.
Dentro do carro, a motorista tentou ajustar o volante com as mãos trêmulas.
O veículo havia parado em falso — uma das rodas fora da estrada, presa na irregularidade do terreno seco. A carroceria tombava levemente para o lado.
Instável. Mas existia esperança…
Mateo sabia o que isso significava. Ela precisava arrancar de uma vez.
Se hesitasse… não teria tempo para uma segunda tentativa.
Dentro do veículo, a voz veio baixa, quase engasgada:
— Mãe… Filha.
— Vai, vai, droga.
O desejo de voltar para a estrada era latente nas palavras e nas expressões delas.
Mateo não ouvia, mas suas expressões corporais eram claras.
Mateo contra os Queimados
A espingarda subiu para posição de disparo.
Cegas pelo desespero, elas não perceberam a aproximação de Mateo. Não completamente.
Ele se movia sem pressa.
Não corria, mas chegava onde queria rapidamente.
Aí veio o primeiro disparo. Um eco seco.
O primeiro Queimado recuou com o impacto, o corpo jogado ligeiramente para trás e agora em chamas, se desfazendo em cinzas e brasas.
Mateo não esperou e já atingiu a cabeça de outro. Novamente, o corpo carbonizado caiu de joelhos e também se desfez em cinzas.
Neste momento, o carro respondeu com um solavanco.
Mateo refez o cálculo. Olhou o terreno. Deu um passo na direção da porta do carona e disse:
— Abre! Eu posso ajudar vocês!
A voz saiu baixa, firme. Sem grito. Sem urgência aparente. Decidida.
A mãe olhou para ele como quem via algo pior do que os necrófagos — Experiências do passado.
Ele já esperava, pois era difícil confiar naquelas circunstâncias.
A filha chorava, mas sem som alto. Pressionada contra o banco, os olhos fixos no homem armado do lado de fora.
— Me chamo Mateo, não quero fazer mal!
Repetiu, um pouco mais seco desta vez.
As mãos deles acendiam de forma inesperada. Depois, as rachaduras nos corpos também mudaram.
O calor já podia ser sentido. O frio cortante mudava conforme a aproximação dos necrófagos.
Subitamente, o carro recuperou a tração.
A motorista hesitou por um segundo, mas acelerou, deixando Mateo para trás.
Ele recuou um passo automático, já prevendo o pior.
O primeiro Queimado entrou em combustão espontânea. Perigo imediato.
A resposta veio mais rápida que a aceleração do carro.
O disparo foi no tronco, lançando o necrófago para trás.
Passagem aberta. O carro escapou rapidamente.
Deixado para trás, Mateo agora encontrava-se cercado por muitos…
A situação ficou quente, literalmente.
Mateo avançou com um rolamento preciso.
Uma explosão, duas e a terceira…
A última esquiva não foi suficiente. O ar estalou.
A explosão não foi total, não destrutiva como fogo vivo, mas violenta o suficiente para projetar calor e fragmentos incandescentes contra seu corpo.
Ele parou. Respirou curto. Controlado como sempre.
Recarregou sua espingarda rapidamente. Mas não disparou…
O outro motor
Ao mesmo tempo, percebeu um novo som de veículo.
Outro motor…
Distante…
Vindo da mesma direção.
Mateo ergueu a cabeça. Saiu da estrada por uma rota que o deixava em vantagem.
Os melhores caminhos sempre se abriam para ele.
Deslocamento rápido, silencioso, buscando cobertura natural junto ao muro de pedra mais próximo.
A posição não era perfeita. Mas era suficiente para enganar seus algozes.
Ele então observou…
Seu instinto não confiou neste outro veículo. Até porque, confiar nunca era seguro.
O veículo surgiu na curva. Não reduziu muito. Também não hesitou.
Um jipe. Estrutura reforçada. Metal adaptado.
Não era civil. Mas também não era oficial.
Os homens dentro não usavam uniforme. Não exatamente.
Peças táticas misturadas com roupas civis. Proteção improvisada. Armas à mostra.
Mateo entendeu sem precisar pensar: mercenários.
O jipe passou mais alguns metros…
Então diminuiu. Não por cuidado.
Os primeiros disparos vieram quase ao mesmo tempo.
Longos. Não muito controlados. Com ligeiro desperdício.
Os Queimados reagiram como tudo reagia naquele mundo: avançaram.
Não desviaram.
Os impactos abriram espaço nas carcaças queimadas. Alguns caíram. Outros continuaram.
Um reacendeu. E isso bastou.
A explosão veio baixa, mas espalhou calor e fragmentos.
Os homens não se aproximaram mais. Não terminaram o trabalho. Não era o objetivo.
O jipe fez uma meia parada.
Avaliou o local.
E então seguiu. Como se aquilo fosse apenas mais um ponto no caminho.
O som do motor se afastou rápido.
Engolido pela própria estrada.
A estrada volta ao silêncio
O silêncio voltou. Mais pesado agora.
Mateo não se levantou imediatamente. Estava ferido.
Os Queimados ainda estavam lá. Bem menos agora.
Algum tempo depois, ele saiu da cobertura com cuidado. Retornou à estrada. Nada havia mudado.
Ele ajustou a espingarda no braço.
A mão fechou automaticamente sobre o apoio de madeira.
Por um segundo, só um, o olhar se perdeu na direção onde o carro das mulheres havia desaparecido.
Depois voltou…
Seus sentidos diziam para ele seguir em frente. Sem hesitar.
Até porque, parar nunca foi uma opção…

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Marcelo Biazone é profissional de marketing digital, criador de conteúdo e idealizador do universo Último Refúgio RPG. Admirador de filmes de terror desde jovem, desenvolve um projeto autoral que une horror cósmico, sobrevivência, apocalipse, Necronomicon, Renascidos e narrativas sombrias sobre a fragilidade humana diante do impossível.